A reforma aconteceu no século XVI, a partir do ano de 1517, durante a Idade Moderna. Nasceu em busca de se contrapor a uma série de práticas relativas à igreja católica romana. Ela teve vários líderes ao longo do seu tempo de ação, mas, sem dúvida, o que mais teve destaque foi o alemão Martinho Lutero, um monge alemão que adotava, entre outras ideias, a de que todos os fiiés deveriam ter acesso a sua própria Bíblia. Lutero fez a publicação de uma lista de 95 teses de sua autoria e esse documento foi o marco para o rompimento da igreja católica com Lutero e também apontado por alguns historiadores como o começo da reforma.
O acesso à Bíblia e a outras fontes de conhecimento era restrito, primeiro pelo fato de muitos não saberem ler e mesmo os que sabiam não tinham acesso aos livros, que eram censurados e controlado pela igreja. Somente monges e padres que viviam nos conventos tinham acesso a esse conhecimento, sendo que, no mesmo local, eram designados escribas para fazer cópias, à mão, desses conteúdos.
Mesmo antes de Martinho se levantar contra alguns dogmas da igreja, John Wycliffe, teólogo inglês e Jan Hus, pensador boêmio, já haviam questionado algumas posições da igreja. Foram os propulsores da reforma religiosa e deram inicio a esse movimento questionando a atuação da igreja nas decisões políticas Questionavam também, a riqueza da igreja e defendia que a mesma deveria ser pobre como havia sido anteriormente.
Seguidos a esse pensadores, Martinho Lutero, mesmo sendo monge e vivendo sob as leis da igreja, se opôs a princípios que o regiam. Martinho teve acesso às escrituras da Bíblia e obteve destaque ao fazer sermões contra as indulgências. No dia 31 de outubro de 1517, foi colocado á público ao 95 teses de Lutero que estavam abertas às discussões. Dentre elas, estavam as que condenavam a “avareza e o paganismo” que estavam impregnados na igreja e também sobre as indulgências, prática que Lutero era contrário.
Lutero foi excomungado da igreja católica, sofreu várias ameaças de morte, passou por vários conselhos que tentavam fazê-lo se retratar perante as autoridades católicas sobre suas teses, mas nada disso o fez largar sua ideologia. Talvez por isso, tenha contado com apoio de muitos líderes religiosos e políticos. Lutero, com desejo de popularizar o conhecimento ao povo, fez tradução do Novo Testamento para a língua alemã, sendo que a Bíblia só era disponível em latim.
A reforma, que se seguiu até mesmo depois da morte de Lutero arrancou muitas pessoas de dentro da igreja católica. O povo via, no movimento, um caminho para sair da opressiva força da igreja. Criaram-se novas igrejas do ramo conhecido como protestantismo. Igrejas luteranas, calvinistas, anglicanas e outras foram criadas com intuito de seguir essa nova linha de regras que iria contra s dogmas da Igreja católica.
Muitos da própria igreja católica tinham acreditado nas teses de Lutero e na possibilidade das Bíblias traduzidas segundo a língua local. Isso resultou numa outra divisão na igreja católica romana: um lado ficou com a igreja dos católicos romanos (linha que mantinha os princípios católicos) e os reformados (linha protestante).
Vendo que seu domínio corria perigo, a igreja católica tratou de formular ações para evitar que as ideias da reforma religiosa fossem aceitas de forma unânime pela população. Foi então feito o Concílio de Trento, medida do que seria a Contrarreforma ou a reforma católica.
O Concilio de Trento foi o décimo nono concílio ecumênico e aconteceu de 1545 até 1563. Foi ordenado pelo Papa Paulo III. Visava rever e redefinir unidade de fé e disciplina eclesiástica. Tentava buscar uma forma de frear a evolução da reforma religiosa, que Martinho Lutero tinha desencadeado. As medidas que foram definidas nesse conselho, escolhidas pelos pontífices da igreja católica, formaram o que se chama do movimento contrário à reforma: a Contrarreforma.
O movimento da Contrarreforma incluiu várias medidas como a reafirmação da necessidade de celibato, da autoridade do Papa, a criação do catecismo (escola para crianças aprenderem desde cedo), a criação de uma lista de livros proibidos que continham documentos que se opusessem aos ensinamentos da igreja, a opressão à condição de indulgências além da famosa santa inquisição. A santa inquisição é guiada pelo tribunal do santo ofício, que julgava pessoas que se opusessem às doutrinas da igreja.
Com essas atitudes, no período de 1534 até 1590 a igreja teve de volta grande parte de seu domínio financeiro e político sobre algumas potências da época. A igreja voltou acumular grandes quantias financeira em seus cofres e uma boa parcela do povo, que fugia das punições para os rebeldes, voltava ao julgo dos papas.
A chamada santa inquisição foi responsabilizada por muitas condenações à fogueira, forca e outros tipo de morte. Tornou-se uma maneira de, por medo, evitar que as pessoas escolhessem o lado protestante e também o crença na adoração de plantas, animais. As condenações dadas aos “infiéis” na santa inquisição variavam entre confiscar todos os bens, perda de liberdade até a pena de morte. Outro “fruto” da reforma católica é a retomada da arte cristã, o que influenciou no início do movimento barroco.
A Contrarreforma influenciou no descobrimento do Brasil, pois a reforma católica tinha também a ação de levar as doutrinas do catolicismo para outros locais. Potência como Portugal e Espanha levaram o catolicismo para suas colônias e por consequência, o Brasil, colônia portuguesa, teve seu início marcado pela ideologia católica.
O protestantismo não foi eliminado pela Contrarreforma mas teve uma brusca desaceleração de crescimento. Além do que, Portugal e Espanha, que incorporaram mais a ideologia da Contrarreforma, foram os pioneiros na expansão marítima e, assim, levaram a ideologia católica a mais lugares que o protestantismo. Enquanto Portugal e Espanha catequizaram as Américas e o protestantismo esteve mais presente somente na América do Norte, levado pelos ingleses.

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